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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Viviane Mosé - uma ilustre capixaba.

Viviane Mosé

Nasceu no Espírito Santo a 16 de janeiro de 1964
É poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista.
É dela a poesia que publico que vi postada no face de algum amigo. Fiquei impressionada e resolvi compartilhar por aqui. 


Doenças

Muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema.

Viviane Mosé

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Do Comendador José Saramago




 José de Souza Saramago

Nasceu em Azinhaga,Golegã a 16 de novembro de 1922

Faleceu em Tías,lanzarote a 18 de junho de 2010

Escritor,argumentista,teatrólogo,ensaísta,jornalista,dramaturgo,contista,romancista e poeta português.
Nobel de Literatura de 1988


"Venham enfim as altas alegrias,
As ardentes auroras, as noites calmas,
Venha a paz desejada, as harmonias,
E o resgate do fruto, e a flor das almas.
Que venham, meu amor, porque estes dias
São de morte cansada,
De raiva e agonias
E nada."

José Saramago


domingo, 7 de setembro de 2014

Mario Benedetti





Mario Benedetti

Nasceu em Paso de los Toros,departamento de Tacuarembó/ Uruguai a 14 de setembro de 1920.

Morreu em Montevidéu a 17 de maio de 2009.

Poeta, escritor e ensaísta uruguaio.


Mais que beija-lo,
Mais que dormirmos juntos,
Mais que nenhuma outra coisa...
Ele me dava a mão...
e
isso
era amor...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Federico Garcia lorca



Federico García Lorca: 

Poeta, dramaturgo, compositor, pintor e pianista espanhol.

Nasceu em Fuente Vaqueros a 5 de junho de 1898.

Faleceu em Granada a 19 de agosto de 1936.

É dele o poema a seguir:





Gazel do Amor que Não se Deixa Ver

 Somente por ouvir o sino da Vela
 pus em ti uma coroa de verbena. 
 Granada era uma lua afogada entre as heras. 
 Somente por ouvir o sino da Vela 
 destrocei meu jardim de Cartagena. 
 Granada era uma corça rosada pelos cataventos.
 Somente por ouvir o sino da Vela
 me abrasava em teu corpo sem saber de quem era.

. Federico García Lorca, in 'Divã do Tamarit' 

 Tradução de Oscar Mendes

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Fernando Pessoa se faz presente outra vez...

                                                                      Que tal esse?

Tão cedo passa tudo quanto passa!
morre tão jovem ante os deuses quanto morre!
Tudo é tão pouco!
Nada se sabe,tudo se imagina.
Circunda - te de rosas, ama,bebe,
e cala. O mais é nada.

                                                                        E esse?

Para ser grande,sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Um pouco de Lya Luft


Nascimento 15 de setembro de 1938 (75 anos)
Santa Cruz do Sul, RS
Nacionalidade Brasil Brasileira
Ocupação Escritora, tradutora e ex-professora universitária.
Principais trabalhos As Parceiras, Perdas e ganhos, Rio do meio, O silêncio dos amantes,O tempo é um rio que corre.  

Esse poema está na pág. 93 do livro O tempo é um rio que corre.


Quando pensei que estava tudo cumprido
havia outra surpresa: mais uma curva
do rio, mais riso,
mais pranto.

Quando calculei que tudo estava pago,
anunciaram-se novas dívidas e juros,
o amor e o desafio.

Quando achei que estava serena,
os caminhos se espalmaram
como dedos de espanto

em cortinas aflitas. E eu espio,
ainda que o olhar seja grande
e a fresta pequena.

sábado, 5 de julho de 2014

Um pouco de Carlos Drumond de Andrade.

Carlos Drumond de Andrade
Poeta modernista,cronista e contista nascido em Itabira-MG em 31 de outubro de 1902. Faleceu no Rio de Janeiro a 17 de agosto de 1987.
É dele o pensamento e o poema que seguem:


Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.






AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.



























quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pablo Neruda também é dez!



Nome completo: Neftalí Ricardo Reyes Basoalto
Nascimento: em Parral a 12 de julho de 1904.
Morte:        em Santiago do Chile a 23 de setembro de 1973
Nacionalidade: Chileno
Ocupação: Poeta,diplomata
Prêmios: Nobel de Literatura em 1971
Assinatura
Firma Pablo Neruda.svg
Uma referência:O Carteiro e o poeta, filme de ficção foi baseado na sua historia passada na Isla Negra, no Chile, com sua mulher Matilde. O filme foi rodado na Itália onde Neruda teria se exilado.  Lá, numa ilha, torna-se amigo de um carteiro que lhe pede para ensinar a escrever versos para poder conquistar uma bonita moça do povoado.


Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...
                                           Pablo Neruda 

A partir de hoje ao mesmo tempo que posto frases e, ou poemas vou colocar um pequeno texto com alguns dados sobre o autor cujas letras postei. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Um pouco de Clarice Lispector.



As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
                                                  Clarice Lispector
Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.

                                              Clarice Lispector

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mais Fernando Pessoa




Isto


Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo.Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.


Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.


Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mais Fernando Pessoa.




E depois desse, que tal esse outro? Difícil é escolher um que não toque o coração.




Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ao amor!


12 de Outubro, 13 de Outubro, duas datas em que o amor é a palavra chave.Como ontem começou a Copa do Mundo, postei sobre ela. Hoje, posto sobre o amor. 



Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
 Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? 



"Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer... "

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Tolfices também vai à Copa.

Que versos poderiam ser mais apropriados para esta época de Copa do Mundo do que esses escritos e musicados por Joaquim Osório Duque Estrada e  Francisco Manuel da Silva?

                      Parte I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Parte II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Atualizado ortograficamente em conformidade com Lei nº 5.765 de 1971, e com
art.3º da Convenção Ortográfica celebrada entre Brasil e Portugal. em 29.12.1943.

A despeito de tudo e de poucos vamos torcer e muito pela Seleção Brasileira. Em outubro acertaremos nossas contas com quem merece.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Perfume de lavanda.

Esse poema copiei do blog "Depósito Santa Mariah" que sigo já há algum temppo. É um blog lindo com dicas de decoração, fotos e descrição de casas em estilos diversos, paisagens lindíssimas que encantam os olhos. O Depósito tem uma loja virtual de onde comprei um cachepô  em estilo provençal que é uma das minhas paixões ( foto). O poema vem acompanhado pela música "Profumo di lavanda" e de imagens de campos floridos.

"E quando cansada
na cama me jogo
entre lençóis cheirando a lavanda,
me pego a sonhar
que tudo no mundo passa
só não passa a esperança.
... Essa dorme na minha fronha
e me dá bom dia...todo dia.."

Luciete Valente

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

É de Fernando Gaona.

Esse poema está escrito na parede da sala de Quimioterapia da UNIMED de Santa Maria, é motivo de inspiração para todos que passam por lá. Eu já estou na fase de buscar a medicação via oral e passando muito bem graças a Deus e aos cuidados médicos e a minha disciplina( olha aí parte da minha rotina!)
É um texto muito oportuno, não acham?
P.S. A imagem não está muito boa, tirei com o meu celular mas vale o texto.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma blogagem coletiva inspiradora.

Pois não é que uma blogagem coletiva trouxe-me um presente? O tema da BC era "rotina" e foi proposto pela Dani Moreno. Num dos blogs participantes encontrei esse poema que, após uma pesquisada na Internet, soube fazer parte de um comercial de TV. De qualquer forma como não encontrei o autor, vou dar o crédito para a blogueira Chris Ferreira do "Inventando com mamãe" onde o li pela primeira vez.
O poema diz assim:


A ideia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O inicio é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.


Lindo, não?

sábado, 10 de maio de 2014

Homenagem às Mães

 Com as palavras de Carlos Drummond de Andrade quero homenagear todas as mães que por aqui passarem.É um poema lindo e, embora fale da mãe que já partiu, demonstra o grande amor que ela nos inspira.





Para Sempre                                                                                
                                                       Carlos Drummond de Andrade
 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.